Nascido em 1º de julho de 1976, na cidade de Itaperuna - RJ, vive e trabalha em Niterói .
Com formação técnica em publicidade (ETEC - Escola Técnica de Comunicação), bacharelado em artes plásticas (UFRJ - escultura), licenciatura plena em Educação Artística e especialização em arte educação (UNIVERSO).
Trabalhou durante cinco anos no estúdio de ilustração e design do artista Guto Nóbrega e posteriormente na finalização e criação de estampas para o ramo de moda.
Na área de arte-educação, trabalha como professor de escultura e violão e ministrando workshops de origami para empresas ( PETROBRÁS, ESSO, BANK BOSTON, BRASILVEÍCULOS e NET RIO).
Desde 2002, produz esculturas para agências de publicidade e mercado editorial, utilizando-as como ilustrações para sites, mídia impressa e produção de brindes. Tem como principais clientes: Revista Decidir, Editora Abril, Revista Patrimóvel, Lanchonete Transasuco, AGA, Souza Cruz e Coca - Cola.
Atualmente, além das atividades como profissional liberal já mencionadas, trabalha como professor de artes para o ensino fundamental e médio.
Exposições coletivas:
Abertura ROTA das ARTES / Galeria de Artes da Faculdade Universo (Niterói) • 2004
TRASLADO 125 / Centro de Artes Calouste Gulbenkian (Rio de Janeiro) • 2005
“A IMAGEM DO SOM” (Dorival Caymmi) Participação como escultor / Paço Imperial (Rio de Janeiro) • 2005
COLOGNE IN COLÔNIA / Museu Bispo do Rosário (Rio de Janeiro) • 2006
Lançamento do grupo FRONTEIRA ZERO / Espaço Josete Cherene (Niterói) • 2006
Exposição Individual:
SERELEPE / Sala José Cândido de Carvalho (Niterói) • 2007
O ARTISTA
EXPOSIÇÃO ... ) Serelepe (
A exposição, ocorrida em dezembro de 2007, com curadoria de Desireé Monjardin, reuniu trabalhos do artista Saulo Freitas, produzidos no decorrer de sua carreira, com ênfase em suas “esculturas humorísticas”, repletas de cores e movimentos, as quais captam, muitas vezes, de forma lúdica, pequenos atos, gafes e micos do dia-a-dia.
Como é que se lê serelepe? Serelepe não tá no mapa, é gíria de dicionário. Serelepe é ser criança, ver o mundo imaginário. “Massar” a massa da vida, dar vida ao boneco Mário. É pôr a cor no cabelo, cabeça, pescoço e figura. Se não figura no mapa, o ser é leve estrutura. Botar o pano na moça, fazer uma Cleusa Maria, o fio que tece e modela, o riso, a cor, alegria. Serelepe dorme à noite, para amanhecer de dia.
REALIZAÇÃO:
• Prefeitura de Niterói
• Secretaria Municipal de Cultura
• Fundação de Arte de Niterói
CASULOS • LAURA FREITAS
Casulo fala sobre um momento de interiorização que precede uma transformação, um nascimento. É como uma cápsula que guarda mistérios, segredos, informações que é preciso romper a termo para que sejam revelados.
A matéria rígida é envolta por algo elástico e flexível, que nos faz refletir sobre mudanças de atitudes e comportamentos que devemos tomar em nossas vidas. Este paradoxo nos conduz a um universo de movimentos circulares que transitam por entre a elasticidade do tecido e a rigidez do arame, meios pelos quais o sentido se manifesta.
LAURA FREITAS, Nascida em 07 de outubro de 1967 na cidade de Itaperuna RJ, com formação em licenciatura plena em Educação Artística (Artes Plásticas), freqüentou a oficina de Escultura do Museu do Ingá com Augustos Almeida, cursa atualmente Arte Terapia (extensão UFF ), com Denise Viana.
Desireé Monjardin (curadora) e a artista Laura Freitas.
Bufuý?... A banda formada por Marco Ântônio Cândido, Kiko Menezes e João Rafael, tem esse nome esquisito. Mas afinal, o que isto quer dizer? Ou melhor, quer tocar?
Bufuý é simplesmente o nome dado ao instrumento musical, criado por Marco Ântônio, que mistura percussão sopro e corda, emitindo um som similar ao nome. Mas de esquisito, só o nome! A banda vem mostrando em seus shows seu grande profissionalismo, e, como sempre, levantando o público com seu repertório “sucateante”, criativo e dançante.
O grupo trás acoplado ao seu trabalho questões de relevante importância, como a reciclagem, o reaproveitamento e a importância da transmissão de pensamentos e sensações positivas do artista quanto ao público.
Todos esses conceitos são concretizados através da utilização e transformação de sucatas e objetos reunidos em uma grande “Escultura Sonora” com 8 metros de comprimento, além letras e canções que nos levam a reciclar, reaproveitar, recriar, reviver a cada dia um universo interior cada vez melhor.
Participação especial com Sandra de Sá // Teatro da UFF - Niterói. ( Fotos: Rossana Fraga )
INSTRUÇÃO E EDUCAÇÃO*
“A instrução tem por fim fornecer ao homem o conhecimento e uso dos objetos necessários para sua vida profissional.
A educação tem por fim despertar e desenvolver no homem os valores da natureza humana; porquanto a natureza humana existe em cada indivíduo apenas em forma potencial, embrionária.
Diz a sabedoria milenar da Bhagavad Gita que o ego é o pior inimigo do Eu, mas que o Eu é o melhor amigo do ego. Diz ainda que o ego é um péssimo senhor da nossa vida, mas um ótimo servidor.
O homem que vive apenas na consciência do seu ego externo não pode deixar de ser um egoísta que hostiliza o Eu interno. Mas quando o Eu desperta devidamente e se põe na vanguarda da vida, aparece o homem harmonioso, que faz o grande tratado de paz com seu ego servidor, sob os auspícios do Eu dominador.
O fim da educação é crear o homem integral, o ego instruído integrado no Eu educado.
Têm-se dito que abrir uma escola é fechar uma cadeia. Infelizmente, isto não é verdade. Os grandes criminosos e malfeitores da humanidade não foram, geralmente analfabetos; muitos deles eram homens de elevada erudição. Se as nossas escolas fossem centros de educação, poderíamos abrir escolas para fechar cadeias. Mas, no mundo inteiro, as escolas dão apenas instrução, que é do ego. E onde há um ego instruído sem um Eu educado, ai há um malfeitor potencial. Os egos pouco instruídos pouco ou mal podem fazer, os egos muito instruídos podem fazer muito mal, se lhes faltar a devida educação do Eu, se a consciência não contrabalançar a ciência.
O homem da ciência, diz Einstein, descobre os fatos da natureza, mas o homem de consciência realiza valores dentro de si mesmo.
Mas, continua ele, do mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores. Com outras palavras: do simples fato de o homem ser instruído, não se segue que tenha valor, que seja bom. O ser - bom não é um efeito do ser-instruído. Os valores, diz Einstein, vêm de outra região.
Os valores existem porque são a própria alma ou essência do Universo - e o homem deve captar em si esses valores, porque somente a captação de valores pela consciência torna o homem valioso e bom.
Pela ciência o homem descobre os fatos da natureza material.
Pela consciência o homem capta os valores do mundo imaterial.” [...]
*ROHDEN, Huberto. Educação do Homem Integral. São Paulo: Martim Claret.
ABDULLAH ANSARI
"Jejuar, apenas significa poupar pão, A prece formal é a ocupação De velhos e velhas, A peregrinação é um prazer do mundo. Conquiste seu coração, A sua sujeição é uma conquista de fato.
Se podes caminhar na água Tu não és melhor do que uma palha. Se podes voar no ar Não és melhor do que uma mosca. Conquista teu coração Para que possas te tornar alguém.
Um homem passa setenta anos em aprendizagem E fracassa, em iluminar-se. Outro, em toda a sua vida nada aprendeu Mas ouve uma palavra E é consumido por ela.
Nesse caminho o argumento não tem valia; Busca, e poderás encontrar a verdade."
Aonde Tu estás, está a Felicidade
Os olhos que vêem um inimigo São muitos milhares, Mas o olho que vê um amigo É um dentre mil.
Mesmo uma prisão Irradia felicidade Se o amor por Ti Enche o coração.
Abençoada é a escravidão Que Teu serviço compele, Teus servos são felizes Em suas servidões.
Há duas Caabas A Caaba construída na terra E a Caaba do coração.
A primeira é aquela que os pés Dos peregrinos freqüentam; A outra é o local secreto Que os Buscadores da Verdade descobrem.
É a primeira Que enche os olhos dos fiéis; A outra, apenas o devoto encontra Sob o olhar de Deus mesmo.
A peregrinação à Caaba terrestre É uma questão de disciplina formal; A descoberta da Caaba do coração, Depende da graça de Deus.
Numa, os peregrinos bebem do poço do Zam-Zam; A outra abre suas fontes Ao manar dos suspiros.
A Caaba terrestre É guardada pela montanha Irfat, O templo do coração É radiante com a luz de Deus.
Da Caaba terrestre ídolos de pedra foram removidos; Da Caaba do coração A voracidade e o desejo são destronados.
RABINDRANATH TAGORE
Quanto mais se vive no campo, ao lado de um rio, mais se constata que nada no mundo é maior ou mais belo que simplesmente concluir os deveres habituais da vida. Se a paz é tão profunda e a bondade tão insuperável em meio à natureza, é porque nenhuma das criaturas procura sair de seus limites. De resto, o esforço que cada um faz nunca é insignificante: a haste da erva vale-se de toda sua energia para extrair seu alimento da extremidade de suas raízes, apenas para crescer onde está plantada, não fazendo esforços vãos para tornar-se alta como um edifício, e é assim que a terra ganha seu encantador tapete verde.
Por que se extinguiu a chama? Eu a cobri com meu manto para colocá-la ao abrigo do vento... Eis por que a chama se extinguiu. Por que murchou a flor? Eu a apertei contra meu coração cheio de amor e inquietude... Eis por que a flor murchou. Por que secou o rio? Eu o represei para que sua água servisse apenas para mim... Eis por que o rio secou. Por que se rompeu a corda da harpa? Eu quis fazê-la emitir um som que não podia ser atingido... Eis por que a corda se rompeu.
MARIO QUINTANA
Os degraus
Não desças os degraus do sonho Para não despertar os monstros. Não subas aos sótãos – onde Os deuses, por atrás das suas máscaras, Ocultam o próprio enigma. Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo...
VINÍCIUS DE MORAES
O velho e a flor
Por céus e mares eu andei, Vi um poeta e vi um rei, Na esperança de saber o que é o amor.
Ninguém sabia me dizer, Eu já queria até morrer, Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho, É o espinho que não se vê em cada flor. É a vida quando chega sangrando, Aberta em pétalas de amor.
ARNALDO ANTUNES
Tudo
Todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo.
O campo
O campo tem terra. E coisas plantadas nela. A terra pode ser chamada de chão. É tudo que se vê se o campo for um campo de visão.
DRUMOND
Verbo ser
Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser Esquecer.
ZÉ DO NORTE / ZÉ MARTINS
Lua Bonita
Lua bonita, Se tu não fosses casada Eu preparava uma escada Pra ir no céu te buscar
Se tu colasse teu frio com meu calor Eu pedia ao nosso senhor Pra contigo me casar
Lua bonita Me faz aborrecimento Ver São Jorge no jumento Pisando no teu clarão
Pra que cassaste com um homem tão sisudo Que come dorme faz tudo, dentro do seu coração?
Lua Bonita, Meu São Jorge é teu senhor, E é por isso que ele "véve" pisando teu esplendor
Lua Bonita se tu ouvisses meus conselhos Vai ouvir pois sou alheio, Quem te fala é meu amor
Deixa São Jorge no seu jubaio amuntado E vem cá para o meu lado Pra gente viver sem dor.
CAETANO VELOSO
Canto de um Povo de um Lugar
Todo dia o sol levanta E a gente canta Ao sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora E a gente chora Porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa E a gente dança Venerando a noite
CHICO BUARQUE
As Vitrines
Eu te vejo sair por aí Te avisei que a cidade era um vão - Dá tua mão - Olha pra mim - Não faz assim - Não vai lá não
Os letreiros a te colorir Embaraçam a minha visão Eu te vi suspirar de aflição E sair da sessão, frouxa de rir
Já te vejo brincando, gostando de ser Tua sombra a se multiplicar Nos teus olhos também posso ver As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão É como um dia depois de outro dia Abrindo um salão Passas em exposição Passas sem ver teu vigia Catando a poesia Que entornas no chão
CARLA PERLINGEIRO
PERDOE A CRIANÇA ...
A que, na tentativa de acertar, Está magoando tantos. E que, elevando o tom de seu falar, Só esta produzindo alguns prantos.
A que, tentando romper as molduras, Deixa na obra uma profunda ferida. A que, buscando acabar com as torturas, Suicida se faz, apesar de amar muito a vida.
Ela, tão grande e tão pequenina, Quer entrar no seu coração. Ela, que apesar de ás vezes ferina, De magoá-lo, não tem intenção.
A que quer descobrir onde a maldade esta, Na tentativa de atribuir-lhe um fim. Perdoe a Criança... a criança levada, Rebelde e atrevida, que mora em mim.
O HUMOR E O KITSCH NA OBRA DE NELSON LEIRNER (Saulo Freitas)
Em entrevista cedida para revista Itaú Cultural, em setembro de 2007, perguntado a respeito do uso de iconografias populares em seus trabalhos, responde o artista:
"A essa pergunta vou responder com um trecho escrito pelo curador Agnaldo Farias: "Cada um desses objetos encarna uma imagem desgastada pela repetição infinita; são signos exauridos, mas que, no entanto, ainda mantêm um débil liame com nossos sonhos, dão provas do nosso impulso de efetuar simbolizações. É o artista quem afetuosamente os retira do limbo onde nossa indiferença os vem depositando, para colocá-los lado a lado, sem estabelecer hierarquia entre eles, sem criar distinção entre os mitos religiosos, os mitos pagãos, as fantasias infantis, os seres provenientes dos reinos animal, vegetal e mineral - todos como lídimos representantes de nós mesmos" (...)
Neste pequeno trecho, Leirner deixa a mostra importantes características herdadas de dois movimentos na história da arte em nosso século: o dadaísmo e a pop-art, fontes que revelam marcantes atmosferas em suas manifestações artísticas: o humor, mesmo que de modo sutil, e a apropriação de elementos que, em sua forma e contexto inseridos originalmente classificaríamos como kitsch, ou melhor, em se tratando de Brasil, simplesmente bregas.
Das idéias dadaístas, diríamos que, ao retirar objetos, os quais, na maioria das vezes, encontraríamos em qualquer mercado popular e transportá-los para um universo onde a hierarquização do consumo e os “níveis” de cultura simplesmente desaparecem, para, a partir daí, habitarem um mundo isento desses juízos de valores, onde, no atual contexto, somos todos habitantes deste mesmo lodo.
Fato curioso, e até mesmo irônico, foi a manifestação do movimento artístico surgido no final da década de 50 nos Estados Unidos: a Pop-Art. Curioso porque, enquanto movimento de vanguarda no Brasil, caracterizado pela forte ligação homem/sociedade, encontramos em nosso país, nos anos 60, um panorama sócio-cultural bastante conturbado: golpe militar de 64, Ato Institucional nº. 5 (AI-5) em 68, entre outros. Diante deste cenário, intelectuais e artistas se mobilizam e transformam seus trabalhos não somente em luta contra a própria ditadura militar, mas também contra quem, mesmo que “por debaixo dos panos” a financiava e apoiava: os Estados Unidos da América, por ironia, berço da pop-art.
É neste contexto que Nelson Leirner se coloca como importante participante deste movimento no Brasil, pois, em sua trajetória, vimos e vemos um artista intimamente ligado às questões sociais e humanas, sejam elas de origem políticas, ou simplesmente cotidianas. Nas recentes palavras do próprio artista: "Vivo com o olhar sempre atento ao meu redor, pois é dele que tiro conclusões para conceituar minha visão de arte. Uma notícia vinda pelos meios de comunicação tem a mesma importância que um passeio por uma rua movimentada do centro da cidade."
Das influências até então citadas de dois movimentos artísticos passemos a uma observação, digamos, um pouco mais “profunda” no conjunto de suas obras: a manifestação do humor e a apropriação do brega.
Primeiramente, é de importância salientar que, ao utilizar o termo “apropriação do brega”, procura-se uma nítida distinção entre fazer arte para a cultura de massa, usando simplesmente mecanismos e fórmulas repetitivas e viciadas e usá-las como referência na construção de uma manifestação artístico-reflexiva.
Leirner faz do kitsch uma ponte para repensarmos nós mesmos, nossas banais atitudes, inseridas em ações tanto individuais quanto sociais, e, sutilmente, na construção de seu repensar artístico, cria em seus trabalhos, não como fim, mas como meio, uma sutil atmosfera de humor. E então, nada tão adequado para expressá-lo como sua combinação com o universo brega.
Altamente ridicularizados, atitudes, produtos e conceitos bregas são freqüentemente alvos de chacotas e de risos, por isso, amplamente explorados nos meios humorísticos, sejam eles teatrais, televisivos ou qualquer outro tipo de mídia. Entretanto, em termos de estilo, não consideremos Nelson como o que chamamos de artista brega, e nem mesmo alguém que vai de encontro à tudo que chamamos de cultura de massa, mas sim, um artista que também utiliza de forma bastante lúcida o kitsch como recurso para a construção bem humorada de pequenos espelhos de nós mesmos.
RUMI
A CASA DE HÓSPEDES
O ser humano é uma casa de hóspedes. Toda manhã uma nova chegada.
A alegria, a depressão, a falta de sentido, como visitantes inesperados.
Receba e entretenha a todos Mesmo que seja uma multidão de dores Que violentamente varrem sua casa e tira seus móveis. Ainda assim trate seus hóspedes honradamente. Eles podem estar te limpando para um novo prazer.
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,encontre-os à porta rindo.
Agradeça a quem vem, porque cada um foi enviado como um guardião do além.
ORIGAMI, mais que uma simples brincadeira, uma “arte funcional”. (Saulo Freitas)
Provavelmente, em torno do primeiro século da Era Cristã, com a descoberta do papel na China, registraríamos o início da utilização das dobraduras pelos monges budistas, a qual, não tardaria a chegar ao Japão, e que seria introduzido nas Américas, séculos depois, principalmente pelos árabes.
Em 1880, teríamos a criação do termo Origami, com a junção das palavras: (ori) = dobrar + (kami) = papel.
Muitas vezes encarado tão somente como um passatempo ou até mesmo, como muitos dizem: “ uma simples brincadeira de crianças.”, esta arte de dobrar papéis deve ser vista sob um foco muito mais amplo, sendo hoje aplicada em várias áreas de nossa ciência, tais como a pedagogia, terapia, medicina e saúde laboral. Portanto, o origami é mais que uma descontração, é um instrumento sólido e eficaz para a melhoria da qualidade de vida do ser humano.
Como bom exemplo de sua aplicabilidade funcional, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), criou o Projeto Origami, oferecendo oficinas a fim de conservar a coordenação motora de seus pacientes. Entretanto, a sua utilização se estende também à neurologia e geriatria.
Na melhoria da qualidade de vida no trabalho, esta arte é principalmente uma técnica anti – stress, pois além de proporcionar uma “pausa para um relaxamento”, desobstrui a mente de pensamentos imprecisos e desnecessários, tão ineficazes para uma boa produção laboral, além do que, ao praticar o origami, o indivíduo está inconscientemente massageando as terminações nervosas das pontas dos dedos.
A prática de dobrar papel nos permite desenvolver várias capacidades importantes, como o aumento da concentração e memorização, criatividade, atenção e paciência, fortalecendo também o senso de disciplina, pois para que o praticante tenha êxito na conclusão final de seu projeto necessita seguir as orientações de modo muito preciso, mas dentro de um universo tranqüilo e relaxado, caso contrário o resultado ficará comprometido.
Muitas empresas vêm aplicando com êxito cursos de origami a seus funcionários, promovendo a socialização e uma melhora na qualidade de seus trabalhos.
O BREGA E SEUS PRINCÍPIOS
Segundo os estudiosos Engelhardt e Killy, são cinco os princípios do kitsch:
- Princípio da inadequação
- Princípio da acumulação
- Princípio da sinestesia
- Princípio do meio-termo
- Princípio do conforto
Percebe-se, quanto ao princípio da inadequação, aquilo que diz respeito à qualquer desvio de um produto quanto à sua função genuína. Sendo assim, temos como exemplos o uso de gigantismos ou minituarizações de objeto, super ornamentações, como telefones em forma de amimais de estimações ou aparelhos de som com displays ultra luminosos e cheios de efeitos.
O princípio da acumulação nos remete à própria uma idéia bastante difundida na sociedade de consumo de massa: consumir, obter o maior número de produtos, mesmo que estas aquisições não façam o mínimo nexo estético, criando-se, então, um mecanismo de recompensa comportamental baseado no status da quantidade em detrimento de uma relação estética razoável e equilibrada entre os elementos. Neste caso o vazio é algo inaceitável, a idéia é juntar o máximo de elementos para conseguir o máximo de efeitos.
Poderíamos então descrever, a exemplo, uma decoração de uma sala: mesa estilo art-nouveau com toalha de plástico – para maior praticidade da limpeza - decoradas com frutas tropicais e, bem em frete à mesa de jantar, TV LCD ultramoderna, último lançamento. Nas paredes, coloridos quadros abstratos, com efeitos de relevos a base de massa corrida e produzidos em larga escala na fábrica de quadros, e, ao lado, para a ostentação de um pseudo saber intelectual, uma reprodução emoldurada da Monalisa de Da Vinci.
É a troca da qualidade e busca da harmonia funcional pela ostentação do luxo baseado na quantidade.
Quanto ao princípio da sinestesia, este consiste na acumulação e concomitância de canais sensoriais num mesmo produto ou trabalho artístico, sejam estes canais de origem sonora, visual, tátil, ou olfativa, como lápis fluorescente e perfumados e canetas com figuras de mulheres que se despem ao produto ser virado para baixo. Neste caso não importa a função original do objeto, mas sim a capacidade que o mesmo tem de produzir efeitos. Como define Umberto Eco: “ O kitsch é a comunicação que tende à provocação do efeito”.
Opondo-se a vanguarda, mas ao mesmo tempo utilizando-a para adequá-las ao consumo de massa encontramos o princípio do meio-termo. Para que os mecanismos de compreensão estética se tornem mais acessíveis, descreve o pesquisador Abraham Moles: “ O meio-termo abrange tanto a posição média quanto o desmedido, constitui a base de heterogeneidade do kitsch, facilita aos consumidores o ato de absorção...”
Embutido no conceito do meio-termo acrescenta-se o princípio do conforto. Isto significa transformar uma idéia genuína, que requer certa dose de paciência e espírito critico-investigativo, para entendê-la num conceito distorcido e transformado numa forma vendável, digerível e agradável para sua aceitação no mercado.
ARNALDO ANTUNES / GILBERTO GIL
A ciência em si
Se toda coincidência
Tende a que se entenda
E toda lenda
Quer chegar aqui
A ciência não se aprende
A ciência apreende
A ciência em si
Se toda estrela cadente
Cai pra fazer sentido
E todo mito
Quer ter carne aqui
A ciência não se ensina
A ciência insemina
A ciência em si
Se o que se pode ver, ouvir, pegar, medir, pesar
Do avião a jato ao jaboti
Desperta o que ainda não, não se pôde pensar
Do sono eterno ao eterno devir
Como a órbita da terra abraça o vácuo devagar
Para alcançar o que já estava aqui
Se a crença quer se materializar
Tanto quanto a experiência quer se abstrair
A ciência não avança
A ciência alcança
A ciência em si
RAUL SEIXAS E CLÁUDIO ROBERTO
Gente
Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer
Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender
É que gente
Gente nasceu pra querer
Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar, ah!
É gente fingindo, escondendo seu medo de amar
RAUL SEIXAS
Por Quem Os Sinos Dobram
Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Você sabe que a gente precisa entrar em contato
COm toda essa força contida e vive guardada
O eco de suas palavras nao repercutem em nada
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão ddo possível aliado, É,
Convence as paredes do quarto e dorme tranquilo
sabendo do fundo do peito que não era nada daquilo
coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
coragem, coragem, que eu sei que você pode mais.
Tu és o MDC da minha vida.
Tu és o grande amor
Da minha vida
Pois você é minha querida
E por você eu sinto calor
Aquele seu chaveiro
Escrito "love"
Ainda hoje me comove
Me causando imensa dor
Dor!...
Eu me lembro
Do dia em que você
Entrou num bode
Quebrou minha vitrola
E minha coleção
De Pink Floyd...
Eu sei!
Que eu não vou ficar
Aqui sozinho
Pois eu sei
Que existe um careta
Um careta em meu caminho...
Ah!
Nada me interessa
Nesse instante
Nem o Flávio Cavalcanti
Que ao teu lado
Eu curtia na TV, na TV...
Nessa sala hoje
Eu peço arrêgo
Não tenho paz
Nem tenho sossego
Hoje eu vivo somente
A sofrer! A sofrer!...
E até!
Até o filme
Que eu vejo em cartaz
Conta nossa história
E por isso, e por isso
Eu sofro muito mais...
Eu sei!
Que dia a dia
Aumenta o meu desejo
E não tem Pepsi-cola que sacie
A delícia dos teus beijos...
Ah!
Quando eu me declarava
Você ria
E no auge da minha agonia
Eu citava Shakespeare...
Não posso sentir
Cheiro de lasanha
Me lembro logo
Das casas da banha
Onde íamos nos divertir
Divertir!...
Mas hoje o meu
Sansui-Garrat e Gradiente
Só toca mesmo embalo quente
Prá lembrar do teu calor
Então eu vou ter
Com a moçada lá do Pier
Mas prá eles é careta
Se alguém
Se alguém fala de amor
Ah!...
Na Faculdade de Agronomia
Numa aula de energia
Bem em frente ao professor
Eu tive um chilique desgraçado
Eu vi você surgindo ao meu lado
No caderno do colega Nestor
Nestor!...
É por isso, é por isso
Que de agora em diante
Pelos 5 mil auto-falantes
Eu vou mandar berrar
O dia inteiro
Que você é: O Meu
Máximo Denominador Comum!...